Simplicíssimo

Amor e Revolta – Capítulo um – Do Lírio ao Sangue

Arrancava com certa força aquele frágil lírio do campo vermelho, observa-o como se estivesse medindo sua beleza. Seria digno a transformar-se em um presente para sua amada? Era uma pergunta que Oscar se fazia em sua mente antes de anunciar ao seu amor:
— Vejo neste lindo lírio, teu sorriso, tua graça, tua vida e teu destino.
Rosa, que se sentia lisonjeada por tais comentários, dizia:
—E o que você vê no meu destino, amor?
—Nele, vejo que existe um companheiro feliz, o qual valoriza bastante estar ao seu lado. Depois de dizer essas palavras, Oscar corria puxando-a pela mão até que chegavam a um lugar onde a visão parecia ser de algo perto do paraíso. Uma calma profunda se fazia perceber, nada mais propício a troca de carinhos que assim se sucedia.
Dias depois, voltando a vida normal, o telefone de Oscar tocava e ele corria desesperadamente dizendo:
—É ela, é ela, tem de ser ela.
Então atendia.
—Alô, quem fala?
Seu tom de voz demonstrava sua decepção, tratava-se apenas de mais uma daquelas propostas de cartão de crédito via telefone, então se desfazia daquela ligação o mais rápido que podia. Era duro, mas depois de um tempo chegaria uma linda tarde de domingo onde teria aquela confirmação que tanto temia:
— É isso mesmo Oscar, desculpa, mas to namorando o Roberto. Conheci-o de repente e foi tudo muito rápido, não sabia nem como te contar.
—Oscar com cara de fim de mundo dizia de cabeça baixa:
—Tudo bem, Rosa, essas coisas acontecem, é uma pena, mas acontecem.
Já ao anoitecer, Oscar via crescer dentro de si uma imensa vontade que parecia lhe consumir.
Naquela mesma noite andava observando todos aqueles que por ali passavam, até que finalmente parecia ter encontrado o que queria: uma mulher muito bem vestida vagava meio cambaleante, aparentava ter bebido um pouco a mais e era então orientada por aquele homem que se mostrava tão solícito:
—Senhora, por ai não irá chegar a lugar algum. Deixe que lhe acompanhe. Vamos procurar um banheiro, precisamos ao menos lavar seu rosto.
A mulher que pouco entendia o que acontecia era facilmente conduzida. Então, enquanto abria a torneira, com a outra mão aquele estranho cavalheiro parecia puxar algum objeto. Depois de um barulho, ele via sua mão pintar-se de vermelho, e aquela pobre mulher era deixada ali mesmo, caída.
Em alguns jornais do dia seguinte podia-se ler a manchete:
Encontrada Morta Mais uma Vítima do Estranho Cavalheiro da Morte
Já era estipulada uma recompensa valiosa e perguntas se faziam no final da página:
Quem seria ele? Quais motivos tem para matar? Por que demora tanto entre um crime e outro?
Quando poderemos responder essas perguntas?


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Frank Santos

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