Simplicíssimo

Graças ao Ontem

No chão se sentou, fechou os olhos e viu o filme. Pouco conhecido de muitos, bem particular, relaxante tão quanto. Não desejaria despertar daquilo. Não era sonho ou algo definível que pudesse com palavras ser dignamente entendido por outros, não na sua mais detalhista individualidade portátil ou feita sob medida. No chão se sentou, fechou os olhos e viu o filme. Pouco conhecido de muitos, bem particular, relaxante tão quanto. Não desejaria despertar daquilo. Não era sonho ou algo definível que pudesse com palavras ser dignamente entendido por outros, não na sua mais detalhista individualidade portátil ou feita sob medida. Quem arriscasse a observá-lo podia imaginar que se tratava de alguém que estava diante de algum espetáculo que continha música, dança ou parecidos. Transeuntes aos montes o analisavam por alguns segundos e seguiam. Um deles, um pouco intrigado estacionava ao seu lado e perguntava:

—O que você sente?
Sem nenhuma resposta abaixou-se e o fez companhia.
Tempos depois a cena tornava-se estranha: dois indivíduos meditando?
Minutos mais tarde só restava o primeiro. O segundo parecia ter se saciado e não mais interessavam as razões dos outros. Seguiu seu destino pensando o quanto o outro seria um louco. Antes de sumir por completo daquele grande salão ouvia:
—Você quer mesmo saber o que estou sentindo?
De olhos arregalados, aquele senhor já de alguma idade dizia:
—Quero sim
O misterioso homem que estava no chão frio, por quase uma hora sem se mexer,  respondia:
—Estava sentindo tudo que vivi. Nunca parei pra perceber o quanto deixei de viver, mas ao mesmo tempo degustei todos meus bons dias. Estou pronto para o hoje e o amanhã, e por  isso devo agradecer apenas ao ontem.

Frank Santos

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