Simplicíssimo

Vencer ou vencer?

Diz a lenda que certo homem que não suportava perder e sofria demais com isso foi curado depois de muito tentar, de apenas uma forma.
Segue abaixo como ela é contada:
Ferdinando era um ser dos mais competitivos que ele mesmo conhecia, vencer era uma necessidade,
perder era uma tragédia. Ele gostava de jogar de tudo, e só parava quando vencia, nem que fosse apenas uma vez.

 

 

Diz a lenda que certo homem que não suportava perder e sofria demais com isso foi curado depois de muito tentar, de apenas uma forma.
Segue abaixo como ela é contada:
Ferdinando era um ser dos mais competitivos que ele mesmo conhecia, vencer era uma necessidade, perder era uma tragédia. Ele gostava de jogar de tudo, e só parava quando vencia, nem que fosse apenas uma vez.
Sair perdendo todas era inconcebível pra ele. De jogo em jogo, ele passou por xadrez, poker, canastra, buraco, bocha, até que descobriu uma nova paixão: O turfe e todo o ambiente que o cercava. Virou jóquei  por acaso através de uma brincadeira de amigos e claro, acabou arranjando uma maneira de vencer.
Trainava, treinava e treinava, até que os resultados acabavam chegando. Mais e mais sucesso ele foi fazendo. Até que ele começou a se acostumar mal. A vitória sempre vinha. Mas certo dia ele ficou preocupado. Rumores falavam que seu reinado era só por ali, pelas bandas de onde ele concorria e que desta vez ele teria adversários que iam lhe roubar-lhe a vitória.
Logo ele tratou de se informar perguntando a quem lia o jornal onde a notícia era o próximo grande prêmio:
– Ei, quem? quem é que vem que é tão bom? É algum cavaleiro de outro país?
– Você não sabe não? Nâo é um cavaleiro, é uma talentosa menina que era daqui, mas foi treinar fora.
– Qual o nome dela?
– Ah, é Suely Monteiro.
Aquele nome mecheu com ele. Suely Monteiro? será que é ela?
Dias depois estava tudo pronto, cavalos e jóqueis apostos até o início do grande prêmio.
Ferdinando apontou na frente com grande vantagem, ganharia fácil pensava ele, mas de modo incrível aquele cavalo pequeno montado por aquela lindíssima mulher foi se aproximando. E Ferdinando começava a perder o foco, tentava vencer mas não conseguia deixar de dar umas olhadelas de lado. Que mulher cheirosa, pensava ele. Até que teve a certeza:
-É ela sim. Ela voltou.
Já não era mais o primeiro, aquela corrida já pouco importava.
Ao final, foi logo parabenizá-la, para surpresa de todos, pois quem tinha memória lembrava como ele ficava fora de si quando perdia.
Semanas depois os dois eram vistos na pequena praça que ficava perto do estádio, felizes, namorando.
Um repórter se aproximou de Ferdinando e disse:
-É, agora entendo aquela sua resposta depois da corrida.
Curiosa, Suely perguntou:
-Ele te perguntou algo depois da corrida, meu amor?
-Sim, ele perguntou porque eu estava reagindo tão bem àquela derrota.
– E o que você respondeu?
– Respondi que eu não tinha perdido nada, muito pelo contrário. Afinal, o que é uma derrota numa corrida quando se encontra o amor?
 

Frank Santos

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