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De Volta pro Vanila Sky do Futuro – Cap. VII

Capítulo VII – Das sérias necessidades de adaptação…

 
– Olha meu amigo, estou quase acreditando na sua história. Quando o senhor voltar ao seu mundo, pode levar um bocado, mas coloque rapidamente na geladeira, senão estraga…
– Geladeira? – pensou Max, enquanto lavava a boca com a água do mar, conforme Antonio fazia…
 
O sol amarelo já se preparava para descer atrás do mar, e Max acompanhava Antonio até sua cabana. Sem conversar, lembrava-se da gritaria e correria no mercado de peixes. Aquilo era muito estranho, como também era estranho o modo como Antonio o apresentava aos amigos: “Esse é um “gringo” que conheci na praia, meu amigo.”
Chegaram a uma cabana coberta com sapé no meio da mata. Antonio acendeu o lampião e preparou um café, que queimou a boca de Max. Mas, como com os peixes, gostou do que tomou. Ao deitar-se na rede, Max sentiu uma sensação estranha vinda da região do abdômen. Uma espécie de dor, misturada com ansiedade…
– Sr. Antonio, que sensação é essa que me incomoda o estômago?
– Olha, Seu Max, nem quero me meter na sua vida, mas o senhor foi ao banheiro hoje?
Em seu mundo, as pílulas continham a dose exata para o sustento diário, eliminando a necessidade de “liberação dos restos”, se é que me entendem. E Max, confuso e envergonhado, teve que observar o amigo fazer suas necessidades para, pela primeira vez na vida, ir ao banheiro e usar papel higiênico.
A rede não era exatamente um colchão pressurizado, mas Max sentiu-se extremamente confortável, adormecendo rapidamente.
 
Os dias passavam-se. Max já começava a sentir-se preocupado. A pele, agora bronzeada e alguns calos nos pés ajudavam-no a lembrar que, se era um sonho, estava passando e muito dos limites imaginários. A saudade de Tana, do amigo Joc, e até da secretária Loira, o chefe interesseiro, quem diria, realmente começavam a incomodar.
Aprendeu com o amigo Antonio a pescar, nadar, e até a vender peixes no mercado. Acostumou-se ao cheiro forte da mercadoria. Aprendeu até a tomar banho com água e sabonete… A simplicidade de Antonio e das pessoas da vila era cativante, e foram determinantes para que seu incômodo não fosse maior.
Segredos para fazer repelentes naturais contra os pequenos andróides sugadores de sangue, nós específicos para apanhar este ou aquele tipo de peixe, perceber pela manhã se irá chover, fazer frio ou calor, se o mar estará perigoso ou sem condições de navegação, eram algumas das lições que Antonio, com toda a paciência e satisfação, passava ao “gringo”, cujo apelido já havia solidificado entre todos.
 
… continua…


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Marcos Claudino

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