Simplicíssimo

O fim da infância

O FIM DA INFÂNCIA

Jonas. Engraxate. 14 anos. Negro. Magro. Alto pra sua idade.

Presta serviços nas ruas do agitado Centro de São Paulo, na região do calçadão, XV de Novembro, Álvares Penteado, Metrô Sé, São Bento, Anhangabaú e proximidades.

Carrega o irmão, Denis. 08 anos. Negro. Magro. Baixo pra sua idade.

Só conhece a mãe, o pai, nem sabe quem é. Mãe costureira e alcoólatra, passa cerca de dois dias por semana em casa (no barraco), o resto ninguém sabe ao certo. Bares sujos, Guetos e vendedores de crack.

Carinhoso o Jonas com o irmão. Protege-o de tudo e todos. Passa a mão na cabeça. Rouba pequenos brinquedos nas lojas de R$ 1,99. Proporciona a ele o carinho que nunca teve.

Dois ou três serviços ao dia, garantia de quatro a cinco reais. Um almoço de dois reais dividido entre os dois, que comem na rua, pois o dono do bar não quer duas crianças tão mal vestidas dentro do boteco, pode espantar os outros bêbados.

Jonas protege Denis. Uns vagabundos tentaram estuprar o pequeno numa noite. Jonas bateu em todos, muito forte o garoto, enquanto Denis secava as lágrimas, assistia e sorria.

Voltavam pra casa às vezes. Os demais dias dormiam na praça da Sé, ao lado dos colegas. Jonas protege Denis, não o deixa fumar, beber ou se drogar. Mas se droga escondido do pequeno…

Jonas morreu logo. Uns vagabundos que haviam levado uma surra voltaram com armas, e rapidamente fizeram o serviço. Completo, inclusive estupraram Denis.

Denis foi descoberto por um padre da região, condoído com o estado do jovem. Deu casa, comida e pinto ao garoto por longos anos, até morrer de Aids. Denis voltou pra rua, mas agora se chama Luana, e vive na boca do crack, não por muito tempo…

Fim… (por enquanto)

Marcos Claudino, 37 anos, profissional de RH, não encontra finais felizes em muitas histórias…

Marcos Claudino

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