Simplicíssimo

Passando a Guarda

São Paulo, 04 de julho de 2006.

PASSANDO A GUARDA

As bandeirinhas estão desaparecendo. Dia a dia, após a eliminação, os enfeites vão-se desintegrando, desaparecendo com o vento. O que era alegria, virou lixo, que já toma conta das ruas. As pinturas nas ruas já estão pálidas, e parecem ter sido feitas em tempos remotos, tempos de alegria e sonho, tempos de esperança, tempos que demorarão muito a voltar…

As teorias são formuladas e a cada hora um novo especialista aparece, ditando as exatas razões que fizeram com que o selecionado tupiniquim saísse prematuramente da Copa do Mundo da Alemanha. Como se não soubéssemos, ouvimos, lemos, debatemos no trabalho, em casa, no e-mail, na rua, no bar, de preferência.

A capa de um site mostra Roberto Carlos fazendo compras após a eliminação, uma pouca vergonha. Outro mostra Cafu sorrindo ao receber uma taça fictícia no desembarque em São Paulo. E a camisa do Jardim Irene está definitivamente aposentada, graças aos céus…

Ruim mesmo é saber que tudo continuará igual. Só teríamos um pouco mais de festa, uns dias a mais para trabalhar meio período e compensar depois, barulheira, buzinas, cornetas, matracas, overdose de verde e amarelo, e o Galvão gritando e beijando Falcão, Casagrande e Arnaldo Coelho…

E a palavra “se” nunca foi tão usada. Os responsáveis já foram eleitos. Robinho não deveria ter sorrido ao receber o abraço do maestro Zizú, Parreira devia gritar e espernear como o Felipão, Ronaldo deveria estar mais magro, desde que saiu do Cruzeiro, Roberto Carlos não correu, ficou abaixado, tomando ar e arrumando a meia, enquanto Henry entrava sem marcação e fazia o óbvio que sua profissão o remunera muito bem para tal… Alguém disse que quadrado não combina com bola. Estranho é que ouvimos o contrário em épocas passadas, bem próximas, aliás… Triângulo também não, nem losangos, heptágonos e hexágonos… A culpa é desse ou daquele, menos minha. Pois “se” eu estivesse lá faria isso, aquilo, aquilo outro, e resolveria tudo, como se isso tivesse a menor importância para minha vida…

Gostar de festa não é problema, ao contrário, solução. Torna-nos mais descontraídos, e aptos a suportar os desmandos e safadezas que sempre permitimos que acontecessem. O problema é quando a festa torna-se mais importante que o básico. E a importância em nos mantermos alienados será sempre fundamental para que os nossos eleitos continuem desfrutando e desmandando em nossas vidas, trazendo aos nossos bolsos as contas eternas da manutenção do Escárnio do Monte Olimpo, vulgo Brasília, capital federal, onde as putas foram expulsas por não suportarem os filhos…

Agora, de todo esse assunto tão chato, o que mais me irrita é que eu, que sempre usei coisas do Brasil, serei tachado de ultrapassado por conta de uns vagabundos milionários que perderam um jogo e fizeram com isso acordar um país hipnotizado.

Deixo claro que o Brasil não perdeu neste sábado, mas vem perdendo sempre. Não a seleção de futebol, mas todo um povo frágil e trabalhador, mas bem bobinho…

Marcos Claudino

Marcos Claudino

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