Simplicíssimo

O dependente químico

  Sou um viciado. Sim, um viciado, dependente. E não tenho como me tratar. Não existe tratamento para o meu vício. Nem tenho motivos para pensar em fazer isso. Devo mesmo é alimentá-lo, sempre.  

Sou viciado em uma branquinha. É como chamam ela. É o seu apelido mais famoso. Quando saio com meus amigos, a chamamos assim. “Um brinde à branquinha!” E erguemos os copos.  

Faço tudo melhor com ela. Trabalho melhor, me sinto melhor, estudo melhor. A branquinha me inspira. É certo que ela me deixa sonolento e cansado algumas vezes. Isso acontece nos fins de semana, quando passo mais tempo com ela. E nossas noites são memoráveis.   

Apenas nós dois, no sofá, ao som de alguma música romântica. Ninguém por perto. Apenas eu e ela. Nessas horas, não preciso de mais nada. Afinal, estou com minha branquinha. E só ela me entende.   

Minha branquinha. Ah… Não posso viver sem ela.   É como eu disse antes. Sou um viciado. Viciado em minha branquinha.  

Não sei porque tem homem por aí que não quer a companhia de uma. Esses eu vejo tristes, sozinhos em mesas de bar, se lamentando, bêbados, em estado deplorável.  

É porquê não têm uma branquinha como eu tenho.   

Minha branquinha não me deixa ficar bêbado. Aliás, foi por causa de minha branquinha que parei de beber. Antes dela, eu vivia bebendo por aí, como os tais tristes citados acima.  

Hoje mais não. Hoje só bebo quando estou com minha branquinha. É quando abrimos um bom vinho e nos amamos feito loucos.

Rafael Rodrigues

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