Edição 280 (28/05/08) – Cronobiologia

“Praticamente todos os seres vivos mostram algum tipo de oscilação em seu comportamento e em suas funções orgânicas. Ao contrário do que se acreditava, essas oscilações não são meros reflexos das flutuações ambientais como a noite e o dia ou as estações do ano; representam isso sim, a atuação de mecanismos bem conhecidos como ‘relógios biológicos’.”

“Praticamente todos os seres vivos mostram algum tipo de oscilação em seu comportamento e em suas funções orgânicas. Ao contrário do que se acreditava, essas oscilações não são meros reflexos das flutuações ambientais como a noite e o dia ou as estações do ano; representam isso sim, a atuação de mecanismos bem conhecidos como ‘relógios biológicos’.”

O trecho acima foi retirado do site do GMDRB (Grupo Multidisciplinar de Desenvolvimento de Ritmos Biológicos), indicado pelo Dr. Luiz Menna-Barreto em sua excelente palestra no 4º Congresso Brasileiro de Cérebro, Comportamento e Emoções (22 a 24 de maio de 2008). As pesquisas têm avançado no estudo de fatores tais como o ciclo sono/vigília, a temperatura corpórea, a fome, a disposição para atividade física ou intelectual de cada indivíduo e como estamos sujeitos a dessincronizações e mascaramentos pelo nosso dia-a-dia (ou mesmo noite-a-noite, como, por exemplo, o toque do telefone no meio da madrugada). Visitando a homepage, na seção “Cronotipo”, você pode participar de um estudo respondendo um questionário (cerca de 5-10min) e saberá em que espectro de biorritmos vespertino – matutino você se encontra. Vale a pena conferir. Acredito ser muito válido tudo aquilo que nos ajuda a entender o mundo interno e com isso melhora nossa relação com o externo, com a vida. Assim como o belíssimo editorial da semana passada, onde o Rafael Reinehr nos brindou com os "12 Passos Práticos para Aprender a ‘Ir com o fluxo’".

Mas voltando ao tema, o fato é que, desde muito, o homem se preocupa com o tempo. Nos estudos sobre os calendários das civilizações antigas, encontramos uma diversidade de teorias que torna o assunto muito interessante. Os Maias, por exemplo, podem ter desenvolvido calendários baseados na duração de uma gestação, na cultura do milho, nos números, na astrologia (ciclo solar, lua, estrelas e outros astros) e na observação dos fenômenos climáticos. (veja mais em HowStuffWorks e na Wikipedia ). Certamente encontraremos tal preocupação noutras civilizações e até no nosso atual Calendário Gregoriano. Dolorosa pena que muitos documentos (e culturas) tenham sido avassaladoramente destruídos pelas barbárias invasões e “conquistas”. A propósito, quem ainda não viu, recomendo o premiado filme boliviano de 1995: “Para Recibir el Canto de los Pajaros“. E para quem gosta de ler, o texto "O Tempo", de Murilo de Andrade, que em sua estréia como simpliautor nos propõe uma reflexão sobre o tema aqui abordado.

Por falar em estréia… a edição 280 está no ar, com a Prima Lettera de Bruno Freitas e Eduarda Beilke. Carpe!