Edição 298 (15/10/08)

Tudo corre tão rápido, não é mesmo? Esta modernidade nos faz competir para que possamos sobressair e manter nossa posição ou então galgar mais um degrau em direção a uma suposta “segurança” financeira ou uma propalada “estabilidade” na vida.
Quando acontecem “acidentes” em nosso percurso, como o… Tudo corre tão rápido, não é mesmo? Esta modernidade nos faz competir para que possamos sobressair e manter nossa posição ou então galgar mais um degrau em direção a uma suposta “segurança” financeira ou uma propalada “estabilidade” na vida.

Quando acontecem “acidentes” em nosso percurso, como o falecimento de um familiar com 4 anos de idade por uma leucemia, por exemplo, começamos a questionar esta “estabilidade” e aquela “segurança” que imaginávamos ser reais.

Os budistas estão certos: vive-se cada dia como se fosse o último, plenos da noção de impermanência e desapego. Isso não significa não sonhar, não ter precauções ou não ter ambições de construir uma família estável, uma boa e confortável casa e uma poupança que possa garantir nossa velhice. Significa tão somente não deixar passar um dia sequer sem que o mesmo tenha um significado preciso e que possa nos levar à sensação de que poderíamos vivê-lo repetidas vezes, como no eterno retorno de Nietsche.

Entretanto, um dia assim não é possível com a atual divisão do trabalho, que leva muitos de nós a passar oito, dez ou doze horas em função de nossas obrigações laborais.

Me perguntaram esses dias: qual é teu foco?

Amigo, meu foco agora é organizar minha vida para, em cerca de seis a oito anos (antes dos quarenta) passar a trabalhar cerca de quatro ou no máximo seis horas por dia com meu trabalho “oficial”, podendo dedicar o resto do meu tempo para trabalhos voluntários e não remunerados como a Coolméia, uma cooperativa de idéias altruístas que me dá prazer só em imaginar funcionando. Quero focar nisso: deixar sementes plantadas para germinarem não em dez, vinte ou cinqüenta anos, mas sim em um, dois ou três anos.

Quero trabalhar como aquele passarinho que, no incêndio da floresta insistia em, sozinho, encher seu bico de água e levar gotas de esperança para as árvores desesperadas. Quero provar que 1 + 1 é muito mais do que dois e que 1 + 1 + 1 + 1 + 1 pode ser sinônimo de uma multidão e da mudança que precisamos no mundo.

Meu foco passa a ser, cada vez mais, trabalhar menos para mim, para o consumo de bens materiais e mais, cada vez mais, para a partilha do conhecimento que adquiri nestes 32 anos. Não, não vou virar ermitão tampouco um ser apolítico. Pelo contrário, vou me embrenhar cada vez mais no seio da sociedade e, cidadão cada vez mais atuar políticamente isolado do Estado, já que este não é nem minimamente requerido para promover as mudanças necessárias.

Para concluir este editorial “focado”, gostaria de citar uma frase escrita a dois cérebros, pelos ecologistas britânicos Penny Kemp e Derek Wall, ainda vivos: “Como ser verde? Muitas pessoas nos perguntaram esta importante questão. É realmente muito simples e não requer nenhum conhecimento especializado ou habilidades complexas. Aqui está a resposta. Consuma menos. Compartilhe mais. Aproveite a vida.”

Essa é a mensagem que quero passar hoje.
 

PS: no próximo editorial, em 2 semanas, pretendo avaliaro filme Zeitgeist e sua continuação, Zeitgeist Addendum. Para assistir os filmes e participar da discussão, por favor visite os seguintes endereços:

1. Zeitgeist

2. Zeitgeist Addendum

Minha crítica sobre o primeiro filme pode ser lida no site Escrever Por Escrever.