Simplicíssimo

Juros compostos e juras de amor (JAZ8176)

Hoje tentei fazer entrar na cabeça de um amigo que, deixar dinheiro empenhado em imóveis é, hoje no Brasil, um mau investimento. Explico: um imóvel de 60 mil reais, na maior parte dos estados brasileiros, é alugado por 450 reais ou menos ao mês. Se você vendesse o imóvel pelo seu preço de mercado e deixasse o dinheirinho parado em um bom fundo de renda fixa, você poderia ganhar algo em torno de 600 reais ao mês (1%), muito mais do que permanecendo com o imóvel e alugando-o.

Muitas pessoas sonham com a casa própria. Eu mesmo, tenho este ideal, para um dia que virá, com certeza. O que acontece, entretanto, é que se coloca o trenó na frente das renas. Veja só: digamos que você queira comprar um imóvel de 200 mil reais. Você guarda seu dinheiro por 10 anos para juntar os 200 mil e quando junta, o que você faz? COMPRA O IMÓVEL! Correto? Não! Burrice!

Quando você tiver 200 mil reais acumulados, você está tendo uma renda mensal (derivada dos juros de suas aplicações) superior a 2 mil reais ao mês. Agora, imagine você transformando todo esse dinheiro numa bela massa de cimento e tijolos! Maravilhoso não? É a casa dos seus sonhos! Sim, mas aí você vai ter que começar tudo novamente do zero para, dali a quem sabe 10 anos, ter juntado novamente novos 200 mil reais.

E se, em vez de gastar toda sua grana na casa (isso vale para outras compras impensadas também) você adia um pouco seu sonho e segue morando de aluguel, como fez até agora? Em 5 anos, investindo o mesmo que você veio investindo até agora, você terá 400 mil reais, e em mais 5 anos, 800 mil reais. Interessante não? Esse efeito é o chamado juro composto. Juros sobre juros.

Agora, daqui a mais 10 anos, em vez de ter uma casa e 200 mil reais, você tem a mesma casa de antes e mais 600 mil reais, te dando uma renda mensal vitalícia acima de 6 mil reais por mês! Satisfeito?

Bem, se você é do tipo que não agüenta o tio voltar para a sala e come logo o marshmallow, tudo bem, vá em frente: compre logo a casa! Deleite-se e divirta-se na sua juventude. É uma válida escolha. Mas prepare-se para trabalhar por mais tempo e de forma mais intensa do que seu amiguinho que esperou o tio voltar para garantir o segundo marshmallow*.

Ah! Para entrar na cabeça de um teimoso (e orgulhoso), só abrindo com marretadas!

 

Rafael Reinehr

 

* para entender a metáfora, recomendo a leitura do livro “Inteligência Emocional – A teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente”, de Daniel Goleman

Rafael Reinehr

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