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Entrevista – Sr. Tamio Matsuo

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Senhor Matsuo nasceu em Tóquio em 1938. Desde muito cedo um apaixonado pelo cinema, foi durante muitos anos um dos principais cameramen de Akira Kurosawa – em filmes como Kagemusha (Palma de Ouro em Cannes em 1979) e Ran. Visitou o Brasil na década de 60, durante as filmagens de “The Young Guy in Rio” (1968), do diretor Katsumi Iwauchi. Atualmente, Senhor Matsuo é o Secretário-Geral de uma Fundação dedicada a preservação das obras de Akira Kurosawa. No último dia 7 de Junho, tive a oportunidade de conversar com este senhor, cuja lente foi responsável por momentos memoráveis do Cinema Japonês e, por que não dizer, Mundial. Transcrevo abaixo alguns momentos deste bate-papo:

EL: Senhor Matsuo, como iniciou esta paixão pelo Cinema?
TM: Quando estudante, vi muitos filmes, principalmente clássicos europeus e americanos dos anos 40 e 50. Minha escola ficava em Shinjuku, onde havia muitos cinemas, e assistia a muitos filmes – principalmente os antigos, que eram mais baratos. Na escola, durante um Festival de Cultura de minha escola, dirigi e atuei em uma pequena peça de teatro que acabou sendo premiada – o que me incentivou ainda mais a seguir o caminho da arte – ainda que, depois, nunca tenha participado de grupos de Teatro, vistos naquele tempo como grupos esquerdistas. Posteriormente minha família mudou-se para perto do legendário Estúdio de Cinema Toho, o que possibilitou que eu assistisse a muitas filmagens – dentre elas “Os Sete Samurais”, de Kurosawa.

EL: Foi então que o Senhor conheceu Akira Kurosawa?
TM: Não. Quando o conheci eu já era trabalhador do Estúdio Toho. Entrei para o estúdio como Assistente Cameraman – a forma mais rápida que encontrei para entrar para o mundo do Cinema, já que eu não era formado pela Universidade – um requisito essencial para ser Diretor de Cinema. Depois, consegui ser escolhido por Kurosawa para ser um dos cameramen (assistente) de sua equipe.

EL: Quantos anos o senhor tinha na época que foi escolhido por Kurosawa?
TM: Tinha 23 anos de idade.

EL: E como era Kurosawa no tratamento a sua equipe?
TM: Um gentleman. Lembro uma ocasião em 1980, quando finalizada uma filmagem, em que ele fez questão de presentear um livro para cada um dos 200 membros de sua equipe, assinado de próprio punho, em kanjis belissimamente desenhados.

EL: Como cameraman, qual era seu principal método de trabalho?
TM (neste momento, mostra-me uma planta sob vários ângulos): Vê esta folha? Dependendo do ângulo que a vemos, ela reflete uma luz diferente, obtendo uma nova cor. Como cameraman, minha função é encontrar a luz e a cor certas para cada objeto. Em relação às pessoas, procuro vê-las como o coração natural – e isto se aplica aos atores na hora da filmagem: através de minha câmera, tento vê-los com o coração natural.

Texto: Edweine Loureiro
Intérprete: Nao Yamada

Edweine Loureiro

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