Simplicíssimo

Interfone II

O que eu fiz quando roubaram minha esposa?
Nada.
E depois?
Voltei para ela.

Me diz
O que foi que eu fiz
Quando minha mulher me abandonou
Esfregando todo o meu fracasso no meu nariz
Nada.

Eu não faço nada.
E sou o culpado de tudo.

Eu, que quis incendiar tua casa,
Só para poder te salvar
E depois me jogar nas chamas
Para você me ver queimar
Não, não fiz nada.
Eu, que quis rasgar teus lábios,
Para nunca mais poderem beijar
Quis quebrar tua janela para contigo me deitar
E seqüestrar teu cheiro para que pudesse me lembrar
Das noites perfeitas que não irão voltar
Não, não fiz nada.
Deitei na calçada e assisti a tudo
Sem fazer nada

Eu, que fiz de tudo pra ficar ao teu lado,
Eu, que fiz amor, que fui apaixonado,
Não fiz nada senão sofrer calado
Enquanto o mundo ri da minha cara
Enquanto tudo o que era, já era.

Se meu único crime foi ter te amado,
Crime maior cometeste tu!
Que me fizeste apaixonar,
Acreditar no conto de fadas
E agora vais embora
E eu não posso fazer
Nada.

Mas veja que cagada a sua brincadeira me causou
Eu poso até ser louco, mas vândalo eu não sou!
Estou puto da cara, mas não causemos um escândalo,
Agindo assim, até parece que não me amou.

É, pelo jeito nunca fiz nada.
Nem diferença.
Nem falta.
Não faço questão.
Nem faço promessa.

Tu não faz idéia…

Rodrigo D.

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