Eco do último círculo da Terra

Rebento das trevas, correu com o braço manco como era manco seu pensamento. Com a pele mordiscada pela miséria, poço fedorento de álcool, torceu o olho manco em direção ao manco tempo antes de precipitar-se ao chão, fazendo do sangue chão e do chão textura óssea, cortando em verbo seco sua dor agonizante. Passasse um ou outro seria chutado.

Rebento das trevas, correu com o braço manco como era manco seu pensamento. Com a pele mordiscada pela miséria, poço fedorento de álcool, torceu o olho manco em direção ao manco tempo antes de precipitar-se ao chão, fazendo do sangue chão e do chão textura óssea, cortando em verbo seco sua dor agonizante. Passasse um ou outro seria chutado. Mas só lhe chutava, das entranhas, a agonia da última noite, da última das últimas noites, querendo bufar em vômito. Escorou a mão boa na pedra gelada e o olho saltou a capturar quem vinha. E vinha freira preta e branca, ícone do falso, que, como todo dominó equilibrado no falso, vem a quedar ao passar do tempo. Apareceu-lhe como que para salvá-lo. A boca em catequese chamou-lhe ao perdão. ¿O que tens, filho?, perguntou a endeusada. Sem ter consciência do pus de inferno que era, sem ter na vista o véu do crepúsculo matutino que sempre há, levantou a cabeça e traduziu à mulher, em uma única fala manca, a melancolia que lhe doía no corpo: ¿Me ajuda, moça. Acho que me arrancaram o coração¿.