Simplicíssimo

Eu não tenho preconceitos (?).

"Célio: Na fase recursal da ação trabalhista contra a GM, uma juíza disse que não era a favor de aumentar o montante da indenização por dano moral porque o reclamante, por ser guei, estava acostumado a ser discriminado. Na fase recursal da ação trabalhista contra a GM, uma juíza disse que não era a favor de aumentar o montante da indenização por dano moral porque o reclamante, por ser guei, estava acostumado a ser discriminado.

 

Rui Portanova: Um juiz de Minas Gerais, ao julgar um caso de racismo – em que um negro foi chamado de "macaco" –, absolveu o acusado sob o argumento de que "aqui no Brasil isso é muito comum, os baixos são chamados de anões, os que não têm cabelo, de carecas". Ele não conhece a Declaração Universal dos DH, que é redundante ao dizer que toda pessoa tem o direito de ser tratada como ser humano! Chamar um negro de macaco é um ato racista, porque desumaniza. E eu já vi escritos vindos do movimento homossexual em que vocês, tranqüilamente, referem-se aos homossexuais como "veados"… Não há um grau de desumanização nisso?

Um juiz de Minas Gerais, ao julgar um caso de racismo – em que um negro foi chamado de "macaco" –, absolveu o acusado sob o argumento de que "aqui no Brasil isso é muito comum, os baixos são chamados de anões, os que não têm cabelo, de carecas". Ele não conhece a Declaração Universal dos DH, que é redundante ao dizer que ! Chamar um negro de macaco é um ato racista, porque desumaniza. E eu já vi escritos vindos do movimento homossexual em que vocês, tranqüilamente, referem-se aos homossexuais como "veados"… Não há um grau de desumanização nisso?

 

Luís Gustavo: Propomos uma reconceitualização de termos como "viado". A grafia se modifica, inclusive. Ao assumirmos isso com orgulho, entendemos conquistar espaço político, uma vez que deixamos de ser reféns justamente dessa desumanidade!

Propomos uma reconceitualização de termos como "viado". A grafia se modifica, inclusive. Ao assumirmos isso com orgulho, entendemos conquistar espaço político, uma vez que deixamos de ser reféns justamente dessa desumanidade!

 

Célio: No Gre-Nal, acontece da torcida gremista dizer "Branco prá cá, macaco prá lá", referindo-se à torcida colorada, que contém mais negros. Mas existe uma turma de torcedores do Inter que têm, nas camisetas que vestem, uma cara de macaco e o dizer "Sou macaco sim, e daí?" Quando tu assume o rótulo de forma política, tu desarma o preconceituoso, e o deixa sem resposta.

No Gre-Nal, acontece da torcida gremista dizer "Branco prá cá, macaco prá lá", referindo-se à torcida colorada, que contém mais negros. Mas existe uma turma de torcedores do Inter que têm, nas camisetas que vestem, uma cara de macaco e o dizer "Sou macaco sim, e daí?" Quando tu assume o rótulo de forma política, tu desarma o preconceituoso, e o deixa sem resposta.

 

Luís Gustavo: É uma consideração que não serviria para o caso mineiro, porque a intenção do oficial era mesmo de desumanizar, e por isso deveria ter sido condenado por racismo.

É uma consideração que não serviria para o caso mineiro, porque a intenção do oficial era mesmo de desumanizar, e por isso deveria ter sido condenado por racismo.

 

Célio: Essa luta pelo direito é uma luta pela domesticação, em que queremos ser adequados ao sistema para que ele nos entenda e respeitem. Não há nada de revolucionário nisso.

Essa luta pelo direito é uma luta pela domesticação, em que queremos ser adequados ao sistema para que ele nos entenda e respeitem. Não há nada de revolucionário nisso.

 

Rui Portanova: A não ser que tu lute pela lei e, em seguida, lute para modificá-la. É preciso uma base legal como forma de garantir direitos. Mas eu concordo contigo, o erro é pensar que a LEI É SEMPRE necessária! Sou meio anarquista nesse ponto: no momento que há a lei, as pessoas se sentem acomodadas, quando deveriam continuar a lutar – uma dialética que é importante para sermos felizes.

A não ser que tu lute pela lei e, em seguida, lute para modificá-la. É preciso uma base legal como forma de garantir direitos. Mas eu concordo contigo, o erro é pensar que a LEI É SEMPRE necessária! Sou meio anarquista nesse ponto: no momento que há a lei, as pessoas se sentem acomodadas, quando deveriam continuar a lutar – uma dialética que é importante para sermos felizes.

 

Célio: Essa regulamentação excessiva lembra a Holanda, em que os direitos dos gueis são respeitados como em nenhum outro lugar, mas também é o país onde existe muita segmentação, sem possibilidade da liberdade que a não-normatização dá. Será que eles não estão mais controlados que nós? Quem vive à margem vive mais livre?

Essa regulamentação excessiva lembra a Holanda, em que os direitos dos gueis são respeitados como em nenhum outro lugar, mas também é o país onde existe muita segmentação, sem possibilidade da liberdade que a não-normatização dá. Será que eles não estão mais controlados que nós? Quem vive à margem vive mais livre?

 

Rui Portanova: Essa visão de como o Direito acaba sendo conservador é BEM ADEQUADA, porque ele perde toda a beleza, e talvez sua própria função".

Essa visão de como o Direito acaba sendo conservador é BEM ADEQUADA, porque ele perde toda a beleza, e talvez sua própria função".

 

[O trecho é de uma entrevista realizada por Célio Golin e Luís Gustavo Weiler militam no nuances, grupo pela livre expressão sexual e entrevistaram o Desembargador Rui Portanova para a Revista G Magazine.]

 

 

Tem certeza de que você não tem preconceitos?

Até que ponto consideramos normal os rótulos discriminativos que usamos há tanto tempo?

E de que forma tentamos modificar essa visão que cresce conosco?

Como você faz para driblar os preconceitos que "estão inclusos" no convívio com o outro? Ou você não os nota?

Ah, sei. Você considera normal, afinal, todo mundo fala e faz, pra que ter atitudes diferentes, não é mesmo? Você é só um, não vai ficar enfrentando "a maioria", vai que um dia precise deles.

 

Beta Keró

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