O que você quer?

Quer acompanhar a “crise”? Leia a “Caros Amigos”, uma das raras ilhas de qualidade na imprensa, e, por trás do fervor esquerdista, perceba a inegável sobriedade do que é dito.
Quer ficar alheio a tudo isso? Leia “O Lobo da Estepe” de Hermann Hesse e perceba o quanto nossa existência microcósmica pode ser interessante.

Quer sobreviver? Pare de pensar.
Quer um parceiro para compartilhar suas angústias? Admita que o importante é apenas você e que nada vai mudar isso.
Grite. Dance. Corra. Se extenue. Brigue. Devore. Fale. Pare de se importar.
A verdade está lá fora, aí dentro, em todo lugar.
Seu universo é insignificante. Sua individualidade é inexistente.
Tudo que escondes é o que você realmente é. Tudo que demonstras é apenas uma mínima parte de sua constituição. Todos os seus anseios, os sonhos, as tragédias, as dores, as vontades, os impulsos, a nostalgia, o presente, o futuro, o absurdo. Tudo isto carece de significado.
Nada mais importa. Nada, nunca, importou de verdade.
Estamos condenados a nós mesmos. Isto é tudo.
Veja o quanto és repugnante, o quanto seus semelhantes são animalescos, o quanto sua moral é vazia. Seus medos, injustificáveis. Suas reações, previsíveis.
Reconheça que és apenas um grande amontoado de massa pútrida, se decompondo a cada dia.
Suicide-se. É o melhor a fazer.
E, com isso, assine seu atestado de covardia. Desperdice sua capacidade de reação.
Assuma o conformismo com o qual compactua.
Odeio a ti. Odeio a mim.
Só assim poderei me fortalecer para conseguir o que quero. Só assim adquirirei isenção mental para me tornar sadio.
Eu lhe dou o soco.
O que há do outro lado do muro?