Simplicíssimo

Balada para Adonai Mellendez

acordara doído. tivera o sono entrecortado em sobressaltos, como que dividido em capítulos. antes mesmo de lavar o rosto, fora à geladeira: tomara um gole de cachaça amarga (doce companheira). acendera um cigarro com as mãos trêmulas. olhara o dia com o olhar nublado. a vida continua. ouvira ao longe os apitos das fábricas, as sirenes das ambulâncias. a vida continua. sentira de perto o mau cheiro dos lençóis amarfanhados, amarelados, impregnados de suor, porra, lágrimas. o cheiro do sono doído. acordara sobressaltado. tivera o sono dividido em sobressaltos. pesadelos entrecortados em capítulos (pano de fundo vida real). morrera sentado, infiltrado pela mistura dos cheiros: cachaça, suor, nicotina, porra. e o cigarro queimara entre os dedos murchos. lá fora o som das sirenes das fábricas, dos apitos das ambulâncias. e a vida continua.

Cláudio B. Carlos (CC)

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