Simplicíssimo

Terceira Pessoa

Tá certo, um pouco se devia à insônia. Sabia que não podia tomar café preto antes de deitar – afugentava-lhe o sono. Outro tanto, ao zumbido infernal dos mosquitos (como carros de F1), incomum àquela época do ano. O veranico estendeu-se até meados de junho e trouxe consigo além da mornura das noites, os pernilongos. Mas era mais que isso. Ouvira, sem querer, pela extensão, Elvira falando ao telefone, com aquele homem de voz gravemente melosa ou melosamente grave… Uma voz molhada. Que rosto teria aquela voz? Somado a tudo isso, havia a inquietude do livro que tentava escrever. O leito parecia-lhe cama de faquir. Incomodava. Incomodava também a presença do outro – o que não estava ali mesmo estando, ou que mesmo não estando, estava. Sim, entre eles havia uma terceira pessoa…

Cláudio B. Carlos (CC)

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