Simplicíssimo

Hoje (4)

2007-01-06
Estou, hoje, sem saber o que fazer. O pé-de-atleta continua a
alastrar e não consegui arranjar ainda a tintura de iodo, nem tenho já
coragem para perguntar por ela, depois dos sinais que tive. Primeiro
acabou-se o iodo na escola, depois tive o pesadelo que já vos contei
ontem; era preciso eu ser muito estúpido para não perceber os recados
da máfia. Já li também os “merdia” de hoje e as notícias vão no mesmo
sentido, isto é, fiquei em pânico. A máfia aperta o cerco aos cidadãos
para criar neles uma necessidade imperiosa de tintura de iodo. Com
efeito, aumentaram os preços do parqueamento em Lisboa e o governo
aproveita-se da descida do preço do petróleo para aumentar o ISP.
Cada vez mais gente vai ter que prescindir do automóvel e
passar a andar a pé. Conclusão: o pé-de-atleta vai proliferar ainda
mais, e a procura de tintura de iodo aumentará na mesma proporção.
Leis do mercado, meus senhores, leis do mercado que nos são ditadas
pela máfia. Mas os mais espertos, como eu, tratam de se prevenir a
tempo, fazendo um stock razoável de tintura que dê para aguentar até
se descobrir uma modalidade de transporte mais barata que o
automóvel particular. Transportes colectivos? Estão também pela hora
da morte, não respeitam horários e são incómodos demais. E a máfia
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não está interessada em melhorar a situação porque continuam a
querer que as pessoas não tenham outro remédio senão o carrinho
particular.
Até logo, vou sair porque não é a escrever que a tintura aparece.

 

Henrique Sousa

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