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Russel Crowe não se dá bem com as mulheres…

Russel Crowe não se dá bem com as mulheres por ter deficiência de genes gays, garante Época

E segue a caça à raposa, digo, ao gene gay, um troço muito interessante, pois eu pensava que só seres humanos teriam recursos proteico-calóricos suficientes para fazer essa não-opção sexual, o homossexualismo puro, ou mesmo aquele on the rocks hudsons.

Mas, conforme anuncia a revista Época desta semana, o Gene existe, e "ele é gay que eu sei", garantem os cientistas. Não é por acaso que os cientistologistas não encontraram apenas um danadinho, mas perseguem matilhas inteiras de genes com opção sexual homofílica. Não quero ser pessimista a ponto de dizer que não vão achar nada nunca, mas de fato, como acontece com outras variações no comportamento humano, e mesmo com a maioria dos transtornos psiquiátricos, a origem do homossexualismo parece ser multifatorial.

Exemplo disso a própria reportagem dá: "os filhos gays e suas mães tinham genes em comum em uma região do genoma chamada Xq28", segundo um dos bravos pesquisadores. Essa variação, porém, não se encontra em todos os gays, o que reforça a idéia de que não um, mas um batalhão de genes estaria implicado, e de que algumas pessoas herdam uma tendência a ser homossexual, que poderá nunca se manifestar.

Dentro desse relativismo doido que nos deixa, ao fim das contas, no escuro, a revista Época, bem como seus pesquisadores, buscam características "femininas" nos homens, que supostamente atrairiam mais mulheres. Chegam a dizer que homens com tais características teriam maior número de parceiras ao longo da vida.

Para provar o conto da cabrochinha, a Época entrevistou alguns gays e metrossexuais lindões, que seriam uma tentação para todas as mulheres do mundo. Construiu uma espécie de escala graduada que iria do tipo mais "machão" (exemplo Russel Crowe), passando por cidadãos, digamos intermediários, tipo um Rodrigo Santoro (ditos pela revista e pelas mulheres como os melhores dos melhores dos melhores). A escala termina com exemplos de homens veadões propriamente ditos, como um tal de Graeme McColm.

O viés que vejo nessa escala colorida é que todos os homens ali exibidos são donos de beleza excepcional. O tipo físico do sujeito, bem como seu sucesso pessoal e profissional contam pontos sim, e bastantes. Tais itens não têm vinculação lógica nenhuma com diferenças de gênero, sejam quais forem. É claro que os cidadãos muito "machões", por serem mais agressivos e insensíveis (segundo a revista) levam desvantagem. Mas suspeito de que a vida real seja muito mais complicada do que a revista tenta nos empulhar.

E tem outra coisa: supor que sensibilidade, empatia, interesse por artes e papo agradável sejam características "femininas" é no mínimo simplificar demais as coisas. Tais características são qualidades humanas e não exclusividades de sexos a, b, c, d, etc. Não há razão séria para se inferir que um homem sensível necessariamente seja portador de genes ditos "gays". O clima do discurso exibido na "reportagem" parece um bocado preconceituoso com relação aos homens.

Outra idéia questionável no artigo é citar como boa coisa que homens com irmãos gays atraem mais mulheres, tendo mais parceiras ao longo do tempo. Pra começo de conversa, ter mais parceiras é sinal de sucesso no amor? Ter muitas parceiras não é justamente algo de que os machões gostam de se gabar? Outra: o site da Época não mostra, mas a revista impressa sim: a diferença entre os heteros com irmãos gays, versus heteros com irmãos heteros, em termos de número de conquistas, não é lá muito grande.

Em suma, a matéria pareceu exagerar os dados para chamar a atenção, deu um destaque distorcido aos fatos, o que se comprova pela escolha dos exemplos de homens apresentados, e veicula idéias que podem ser, paradoxalmente (ou seria intencionalmente?), instrumentos de discriminação contra heterossexuais. A matéria a que me refiro, no site, se chama "Uma Questão de Jeito" e sabiamente figura na seção de "ciência e tecnologia", pois parece querer engendrar nos cérebros dos homens heterossexuais um ugrade tecnológico sem precedentes. É como dizia a Feiticeira: "não é feitiçaria, é tecnologia".

E do outro lado do atlântico, os americanos se preparam para alçar um negro à Casa Branca. Que emoção! Parece que as questões de pele importam bastante. Aguardarei ansioso pelo primeiro pele-vermelha a assumir a Casa Branca e depois, se eu viver para ver, quem sabe até o primeiro pardo na Casa Branca (se for mexicano, então será a glória). Por aqui, pelo Brasil, depois de 8 anos de presidente-operário, eu gostaria muito de ver um presidente-padeiro, e se tiver sorte, viverei para ver um açougueiro no assento principal do Palácio do Planalto. Viva a vida!

Luiz Eduardo Ulrich

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