Simplicíssimo

Leis

Leis. Lei e ordem. Lei para a ordem. Ordem na lei. Ordenação das leis. Legalização da ordem.
 
Se você não suporta o assunto trânsito, motocicletas e afins, pare de ler agora, ok?
 
Tenho a impressão de que as pessoas que fazem, votam e aprovam leis neste país não entendem “lhufas” do que legalizam ou proíbem. Primeiro que por aqui temos o costume de, quando uma lei não é cumprida, criamos outras, ajudando a criar brechas muito bem-vindas a quem tem grana para pagar um bom advogado.
 
Toco nesse assunto porque esta semana, por conta do tempo frio e chuvoso, ficou mais latente a última modificação do trânsito paulistano. Motociclistas estão proibidos de circular com a viseira do capacete aberta. Tudo certo, é necessária a proteção da vista dos condutores, até aí nada demais. Mas, se o espetacular legislador já houvesse andado uma única vez numa motocicleta, descobriria que é fisicamente impossível o capacete não embaçar. Assim, o objetivo principal de proteger a visão do condutor cai por terra, ou melhor, protege a vista e acaba com o resto do corpo, após o acidente.
 
Parece piada. Só gostaria de saber se as multas estão sendo aplicadas também aos policiais militares motociclistas, ou aos agentes da CET que, conforme qualquer motociclista com um pouco de juízo, abrem as viseiras em movimento, nas necessidades. Não que eles estejam errados. O problema é que já estão multando os motociclistas “civis”.
 
Após a regulamentação desta lei, muitos protestos das categorias de motociclistas profissionais, adiamento e revisão das exigências, desde 1º de junho voltaram as obrigatoriedades.
 
Motociclistas profissionais, os chamados “motoboys” são obrigados a usar coletes refletivos, além de sinalizar os baús e capacetes com adesivos também refletivos. Até aí, tudo bem, mas como eles identificam os “motoboys” dos demais? Eu tenho uma moto 125 cilindradas e tenho um pequeno baú, onde carrego meus pertences pessoais. Por conta disso acabei por enfeitar meu baú com alguns adesivos. Ficou bem bonito, precisa ver só… Mas não uso o colete, e confesso que não vi um único nas ruas até o momento.
 
Capacetes devem ter o adesivo do Inmetro. Perfeito, Doutor. Um dos meus capacetes, justamente o que uso no frio, é importado, e tem apenas a etiqueta interna do órgão. Precisarei ser multado para recorrer, mandando o capacete como prova de legalidade? O referido órgão informou-me que meu capacete está legalizado, mas não soube dizer como será feito o controle nestes casos, que são muitos. No Detran, não consigo sequer ligar para perguntar.
 
Deixo claro que não sou contra qualquer medida que vise a melhoria da visibilidade e conseqüente aumento da proteção do condutor de motocicleta. Mas está confuso.
 
A guerra já vem de longa data, e é muito difícil ouvir algumas opiniões livres de preconceitos, com exceção da vereadora Soninha, no sentido de minimizar as discórdias. Condutores de automóveis e motocicletas sérios sofrem as conseqüências dos abusos de ambos os lados. Maus motoristas existem, em qualquer veículo que estejam conduzindo, não sendo menos ou mais grave se o acidente foi causado por uma moto ou por um carro. Particularmente, o que vejo mesmo no trânsito é um egoísmo sem limites, onde cada condutor só pensa no seu lado, prejudicando os demais.
 
Não é à toa que temos oito títulos mundiais de fórmula 1, e caminhamos para o nono. Correr pode, mas em condições específicas, controladas e profissionalizadas, não em nossas caóticas ruas.
 
Demorei. Tchau!!

Marcos Claudino

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