Simplicíssimo

Para Gostar de Ler

         Queria saber escrever. Sério. Não iniciarei este texto tentando buscar elogios de amigos cujo carinho não os deixa ver as deficiências ortográficas ou mesmo idealistas do trabalho tão pouco levado a sério que represento neste espaço.

         Tenho descoberto que escrever não é nada fácil. Montar uma história, ser fiel e coerente com cada personagem no desenrolar dessa história, dar ânimo aos acontecimentos, completar os objetivos, discorrer com maestria durante o romance, finalizar sem perder a tênue linha da coerência, ser fiel ao estilo, enfim, criar verdadeiramente, com início, meio e fim, não é trabalho que qualquer um decide fazer e consegue cumprir.
         Tenho lido muito Saramago. Sou suspeito em falar bem. Mas não gostei de tudo, teve até um de seus trabalhos que não consegui terminar, nem passei do início. Mas obras primas como Ensaio Sobre a Cegueira, sua continuação Ensaio Sobre a Lucidez, Jangada de Pedra, A Viagem do Elefante, seu primeiro Terra do Pecado, História do Cerco de Lisboa, Todos os Nomes, As Intermitências da Morte, o super ácido Caim, sem falar no melhor de todos O Evangelho Segundo Jesus Cristo, me fazem crer que falta muito, muito mesmo, para me considerar dono de qualquer estilo que possa fazer a diferença no meio literário. Conselho: prepare-se para sofrer com o estilo maluco de escrever, perca tempo, retorne às páginas anteriores. Depois dessa primeira fase, será irresistível parar de ler.
         Saindo de terras lisboetas, podemos passar por aqui em gênios como o ilusionista Érico Veríssimo, que mais parecia um psicólogo do que um escritor, descrevendo seres humanos com tamanha riqueza de detalhes que chegamos a pensar que eles realmente existiam, além claro, de sua inteligência em situar o desenrolar da história com o momento real vivido na época. Eis a Coleção O Tempo e o Vento, com suas sete obras primas para comprovar o que digo.
         Em outras vertentes, mas com maestria técnica e inteligência, chegamos ao filho Luiz Fernando, com sua linha ácida que muitos pensam tratar de humor apenas. Podemos desenrolar mais alguns, a meu ver, mestres em entreter com suas obras, como o maravilhoso João Ubaldo Ribeiro e sua preguiçosa maneira de jogar verdades em nossos rostos, apimentando os fatos com uma sutil malícia difícil de ser encontrada.
         Saindo da linha romance, posso lembrar de alguns admiráveis cronistas, como Marcelino Freire, Moacyr Scliar, meu querido amigo Moacir Moreira, ainda alguns outros que eu estou cometendo a indelicadeza de não citar.
         Há alguns textos meus que realmente gosto, não passam de duas dezenas, mas me agradam sim.
         Enfim, tenho me deliciado com alguns desses clássicos, a princípio na vã esperança de sugar um mínimo desses talentos. Mas só pude mesmo me prostrar ao perceber o tamanho da distância que não terei tempo de percorrer.
         É isso aí, pessoal, independente do motivo, ler é bom, melhora nossa escrita, melhora nossa forma de comunicação, melhora nossos sentidos e poder de síntese.
         Não seja um pretensioso como eu, mas leia sim, nunca será tempo perdido.
         Abraços.
         Marcos Claudino, 41 anos, profissional de Recursos Humanos, aprendendo, sempre…

Marcos Claudino

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