Simplicíssimo

Catador de vida

Um domingo qualquer liguei a tevê e me deparei com a imagem de um homem, magro, puxando um carrinho de coleta de lixo, lomba acima. Senti o enorme esforço dele para vencer a subida. Ao mesmo tempo, em que declarava não compreender o preconceito das pessoas em relação aos catadores de lixo. “Eu não sou catador de lixo, sou catador de coisas recicláveis, lixo é o que vai fora, o que não serve para nada. Assim, evito que as latas, papéis, vidros e plásticos sejam jogados na natureza”, ensinou o sábio juntador de coisas recicláveis alheias.
 
Certamente, ele aprendeu desde muito cedo, nas ruas da cidade, o valor das sobras, a perceber as possibilidades de aproveitamento do jogado fora.
 
Sem saber, ele faz o que Arthur Schopenhauer, conhecido entre nós, como o filósofo-pessimista, chamou de um esforço ético para ser feliz. Para o filósofo, a essência da existência é a dor, o não-gozo. O homem é movido por uma vontade cega, uma vontade sem finalidade, sem meta, um querer irracional e inconsciente. Portanto, um mal inerente à existência, eternamente insaciável. Viver é sofrer. Mas temos a obrigação de buscar momentos de felicidade, de cessação da dor, mesmo que sejam breves e fugazes, defendia o pensador alemão.
 
Será que Schopenhauer não sabia das coisas? Nem bem conseguimos algo e já temos mais uma infinidade de outros na lista. A busca é infinita e, nem sempre, conseguida, daí a dor, a frustração. A única forma de não sofrermos seria eliminarmos a vontade, pela não-vontade, o desejo, pelo não-desejo, pelo silêncio e a serenidade, atitudes encontradas em seguidores de seitas conhecidas, como os budistas.
 
Totalmente contrário a não-atitude, o catador persiste. A sabedoria adquirida ao longo da caminhada o ensinoua enxergar o essencial da vida. Ensinou a conservar a esperança

Terezinha Pasqualotto

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