Simplicíssimo

Indigna Nação (III de III)

Violentos Haikais 78/X

chuva na cidade
céu quase azul e seca no sul
mais pura maldade

Faroeste 65/X

Amor mais além
meio sem jeito, meio trejeito
Assim seja, amém

INDIGNA NAÇÃO (III de III)

 

Para fazer um bom planejamento de marketing é necessário conhecer bem o público-alvo a atingir e a sua concorrência. Então, desta forma, vou falar primeiro do público-alvo da violência.

Pessoas indefesas de um modo geral, de preferência aquelas que tenham posses, dinheiro e cartões de crédito. Vamos ver quem pode parecer indefeso aos olhos de um bandido: a) qualquer pessoa dentro de um carro, saindo para ir a um caixa eletrônico é uma vítima potencial; b) qualquer pessoa com mais de 60 anos; c) crianças de até 16 anos; d) mulheres; e) adultos sozinhos; f) pessoas dormindo; g) pessoas sob efeito de algumas drogas (exceto cigarro e café); h) pessoas abrindo a garagem das suas casas; i) pessoas menos armadas que os bandidos; j) pessoas sentadas; k) pessoas andando distraídas; l) pessoas andando a noite; m) pessoas que ajam como vítimas (no direito tem uma disciplina que se chama vitimologia). Ou seja, toda e qualquer pessoa que viva na terra é público-alvo da violência.

Analisando profundamente a concorrência, notamos que existem nichos de mercado preferenciais para cada grupo dedicado a um tipo de violência. Por exemplo, existem os batedores de carteira, os ladrões de carro, estupradores, políticos, os que batem na mulher e nos filhos, etc. Cada um tem seu público predileto. É claro que os políticos atingem o mesmo target que os outros bandidos, mas eles não agem no mesmo momento e tem um acordo tácito de preservar os ganhos dentro dos nichos, para que não atrapalhem os negócios uns dos outros. Acordo de cavalheiros… E se algum deles furar o acerto, tudo bem, pois ladrão que rouba de ladrão, tem cem anos de perdão.

Para terminar, queria dar mais um exemplo de porque não podemos tratar a violência como um sistema. Sabe aquela do cara que chegou em casa reclamando dos políticos, do mensalão e do Presidente e depois diz para a mulher que tinha uma notícia boa? Sim, tinha conseguido um atestado frio, então eles poderiam passar um feriado prolongado na praia?

De ré na contramão, para mostrar que tudo acaba virando a favor do sistema!

Pedro Armando Furtado Volkmann

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