A Ferro e Fogo

“Discutir para expor pontos de vista é válido quando há respeito pela diferença e individualidade do outro”,…

Ao mesmo tempo em que o respeito pela opinião individual de cada ser pensante é extremamente valorizada aqui no Simplicíssimo, e damos a cara a tapa recebendo não somente elogios mas também críticas e sugestões…

A Ferro e Fogo

por Lourival dos Santos/Moacyr dos Santos/Tião Carreiro

“Venho de terra distante por estrada perigosa

Vendo a morte toda hora na tocaia criminosa

Encontrando a cada passo só serpente venenosa

Caminho cheio de espinho mas a viagem é vitoriosa.

No meio de ferro e fogo a luta é deliciosa

Bala bate no meu peito e vira medalha honrosa

Se alguém me atira pedra faço virar uma rosa

Quanto mais tombo eu caio acho a vida mais gostosa.

Viola minha viola nós estamos em perigo

Querem destruir você querendo acabar comigo

A guerra está declarada mas a vitória eu consigo

Quanto mais perto da morte mais bonito ainda eu brigo.

A viola e o violeiro vão ganhar este duelo

Eu não nasci pra ser prego eu nasci pra ser martelo

Nesta cantoria encerro tudo que há de mais belo

Eu brigo pra defender o nosso verde amarelo.”

A música acima, que pode ser escutada aqui, interpretada por Tião Carreiro e Pardinho, reflete a sina de uma pessoa (ou de muitas) que, no seu caminho cotidiano, enfrenta(m) toda sorte de agruras possíveis.

Em contraponto ao valente homem apregoado acima, conto uma pequena historieta relatada por Eugênio Mussak na edição de março de 2005 da revista Vida Simples:

“Um empresário, daqueles altamente competitivos, que se orgulha de ser agressivo nos negócios e adora uma boa disputa comercial, um novo desafio e investimentos arriscados, um dia tem um grave problema de saúde. Após tratar-se, e preocupado com o futuro, procura um guru de quem ouvira falar, conhecido por sua incrível vitalidade apesar da idade avançada. Desejava aprender o segredo da longevidade com lucidez e saúde.

– O segredo – ensinou o guru – é nunca brigar. Quando brigamos, consumimos a energia que vem de nós e, portanto, estamos consumindo a nós mesmos. Não devemos direcionar energia para outra coisa que não para o amor e para a harmonia.

– Mas, mestre – retrucou o executivo, elevando a voz -, foi brigando que consegui tudo que tenho, minha fortuna, minhas propriedades, minhas empresas. Devemos discutir, brigar por nossas convicções, impor nossas verdades, ocupar mais espaço onde vivemos e trabalhamos. Não posso concordar que não discutir e não brigar seja a melhor alternativa para uma vida melhor.

– Esse é um ponto de vista – acrescentou o sábio, finalizando a discussão que estava para começar. O guru não brigava, mas sabia argumentar. Entretanto preferiu não fazê-lo com o executivo em questão porque percebeu que com este acontecia o contrário: ele não sabia argumentar, somente brigar – e isso o guru sabia que faria mal e não levaria a lugar nenhum.”

Recentemente, esta Nau foi invadida por um ser anônimo que, de forma alguma conseguia interagir de forma harmoniosa com o restante da tripulação. Seu objetivo era tão somente agredir, ofender, difamar e destruir inicialmente este editor e depois, perdendo completamente o controle, a todos outros autores do site. Notava-se claramente em sua forma de expressão uma falta grotesca de maturidade e um subdesenvolvimento gritante de sua inteligência emocional.

Ao mesmo tempo em que o respeito pela opinião individual de cada ser pensante é extremamente valorizada aqui no Simplicíssimo, e damos a cara a tapa recebendo não somente elogios mas também críticas e sugestões para a cada nova semana melhorar o sítio que, como já disse em numerosas ocasiões, é de cada colaborador que escreve e de cada leitor que passa por aqui, não podemos entretanto deixar que cada um faça absolutamente tudo o que quiser, deixando acintosamente de respeitar o espaço de outra pessoa como vinha ocorrendo.

“Discutir para expor pontos de vista é válido quando há respeito pela diferença e individualidade do outro”, continua Mussak. Quando há respeito pela diferença e individualidade do outro. Quando há respeito pela diferença e individualidade do outro.

Para quem não sabe da história, recomendo que vasculhem os comentários das edições 124 a 127 do Velho Simplicíssimo, e depois, calmamente releiam este Editorial. Tudo passará a fazer sentido. Claro como água.

Ah, façam isso escutando Tião Carreiro e Pardinho!