Bebeto Jéguesson

Seu nome era Bebeto Jéguesson. Era presidente do Partido da Truta na Brasa e vivia sempre arranjando peixes para seus correligionários. É claro, como não poderia deixar de ser, que os maiores peixes guardava para si e para seus familiares e amigos próximos.

Naquela época, a fartura era tanta que os peixes davam até em árvore. Apareciam dentro de cartas, apólices de seguros, em anúncios publicitários! Era peixe como o Brasil jamais havia visto.

Era tanto peixe que dava até para desconfiar.

Seu nome era Bebeto Jéguesson. Era presidente do Partido da Truta na Brasa e vivia sempre arranjando peixes para seus correligionários. É claro, como não poderia deixar de ser, que os maiores peixes guardava para si e para seus familiares e amigos próximos.

Naquela época, a fartura era tanta que os peixes davam até em árvore. Apareciam dentro de cartas, apólices de seguros, em anúncios publicitários! Era peixe como o Brasil jamais havia visto.

Era tanto peixe que dava até para desconfiar.

Mas, em Brasil que se preza, não se confunde “com um roupão na ilha” com “corrupção em Brasília”. E a vida seguiu seu rumo.

Cavalos brancos, pretos e malhados mostraram suas patas a jovens com as caras pintadas. Gases faziam os olhos arderem e, um ano após, a maior votação branca da história do país foi vista. Virou comentário na imprensa escrita, televisiva e radiotransmitida. Nunca o voto branco havia ganho com tanta vantagem de qualquer candidato a presidência da Relespública.

Tensão. Ânimos ouriçados. Pedras na mão. Algazarra nas ruas. Caos urbano. Violência organizada e desorganizada. Manipulação. Jogo.

O medo não era do infinito, mas do que estava próximo, ali, nos próximos 50 e mais 50 anos. Os filhos, os netos.

A dor. O suor. O ardor. O temor.

Em calmas palavras, mais um poeta gemia embaixo do banco da praça, em cima da graça do palhaço, nariz vermelho em riste, fazendo seu maior ato de civismo, entregando sua arma caduca aos postos da Campanha de Desarmamento: deixou lá seu título de eleitor. Como palhaço, sua arma já não servia mais nem para brincar de fazer graça.

A fera foi domada pela mulher barbada. O trapezista engoliu o leão e o apresentador fugiu com a moça da bilheteria.

Rafael Reinehr

PS: Dia 26 de junho o Simplicíssimo completa 2 anos no ar, trazendo semanalmente escritos de todos cantos deste país para serem desbravados e apreciados pelos seres sedentos de literatura e cultura que povoam estes mananciais, estas querências. Algumas novidades a serem anunciadas brevíssimo. Sintam-se em casa e aproveitem. A edição 132 está no ar.