Procura-se um Editor

Alvoroço na redação. O editor-chefe sumiu. Entre os que catam as últimas letras para seus textos, começam a eclodir alguns conchavos e em pouco tempo instaura-se a baderna. Cadeiras reclinadas, sapatos desamarrados por sobre a mesa, gravatas afrouxadas. Expediente encurtado, choppinho antecipado. O fim de ano não podia ser melhor.

Alvoroço na redação. O editor-chefe sumiu. Entre os que catam as últimas letras para seus textos, começam a eclodir alguns conchavos e em pouco tempo instaura-se a baderna. Cadeiras reclinadas, sapatos desamarrados por sobre a mesa, gravatas afrouxadas. Expediente encurtado, choppinho antecipado. O fim de ano não podia ser melhor.

Um clique para o fechamento da edição e … ops … cadê o editorial? Ah sim, provavelmente com o editor … mas o editor sumiu! Novo tumulto. Apertam-se os nós das gravatas, sapatos amarrados descem das mesas e cadeiras são aprumadas. Cancelem o chopp, vamos ter que trabalhar até mais tarde. Ai que saco vai ser esse final de ano!

Uma idéia por favor! Alguém aí tem uma idéia? Não essa não! Nem! Tem que ser algo como as que tinha o editor! Onde diabos meteu-se o editor? Hospitais e cemitérios consultados. Nada. Nem sinal dele. Vamos ter que improvisar. Alguém? Ninguém. Muito barulho, pouco resultado.

O estresse toma conta da sala. Alguns escabelam-se, outros choram, todos gritam. Não há clima propício para a criação. O psiquiatra é chamado com urgência e tenta acalmá-los. Em vão. Num surto coletivo, saem todos pela porta dos fundos gritando de forma quase incompreensível.

Sozinho na sala, o Psiquiatra reclina-se na melhor cadeira que encontra, coloca os sapatos desamarrados por sobre a mesa e afrouxa a gravata. A tela já não está mais vazia. Até que ficou legal, pensa. Um leve clique e a edição está no ar. Um sorriso no rosto. Ao longe, ainda escuta aquele mesmo bando, agora em coro cantarolando uma velha música que diz: “Feliz Ano Novo!”. E completa baixinho consigo mesmo: “Adeus Ano Velho”, saindo de fininho, bem de fininho …