Simplicíssimo

Hoje a noite vai ser boa.

Acordo bem-humorada, e logo lembro das preocupações que tenho e perco o humor rapidinho.

A caminho do trabalho cumprimento somente os que muito se esforçam para isso e continuo minha caminhada até o trabalho, de cabeça baixa, indignada com os últimos acontecimentos em minha vida.

Durante a manhã de trabalho, depois de um café e uma olhada nos acontecimentos pela Internet, recebo um telefonema pedindo sinal de fax.

            Era do Conselho Tutelar da cidade, enviando um relato de atendimento psicológico e assistencial de uma menor.

            A mãe da menor, que se apaixonara novamente após a separação, tinha plena confiança no novo companheiro. Tamanha era essa confiança, que dormiam em uma cama de casal o novo integrante da família, a mãe, a filha de 9 anos de idade e o irmão da menina, com 3 anos de idade.

            Uma manhã, após a mãe levantar-se para levar o menino à creche, ficaram na cama a menina e o padrasto.

            Adivinhem só o que o “zeloso companheiro” fez com a menina de apenas 9 anos de idade? Masturbou-a, mesmo com ela chorando e pedindo inúmeras vezes para que esse parasse.

            Assim foram os dias da menor, durante um ano, até que em uma manhã o “monstro insaciável” resolveu baixar o short rosinha do pijama da menina e efetuar o ato sexual. Mesmo com os choro, os gritos e os esperneios dessa. Até que não foi difícil, com uma das mãos ele a segurava e com a outra lhe cobria a boca.

            Porque a menina deixava? Ah, sim, esqueci de dizer que toda a família era vítima de agressões corporais pelo novo papai.

            A mãe, com vergonha de dizer que seu novo amor era agressivo, ficava quieta e não o impedia das agressões.

            A menina sentia dores, sentia vergonha, sentia medo, sentia raiva.

            A mãe sentia ciúmes, sentia vergonha, sentia medo, sentia-se acuada.

            O padrasto e companheiro sentia prazer, muito prazer.

            Porque utilizei os verbos no passado?

            Porque há essa hora, ele deve estar sendo questionado pelos companheiros de cela o porque de ele estar ali, e se ele não contar, eles descobrirão, e então, ele é quem vai sentir medo, vai sentir vergonha, vai sentir raiva, vai sentir-se acuado.

            Graças ao bom trabalho da psicóloga e da assistente social, a partir de hoje, uma família vai dormir mais tranqüila.

            Denuncie. Abuso sexual ou moral contra qualquer pessoa, mulheres, homens, crianças e idosos é crime.

Beta Keró

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