Simplicíssimo

Ontem (2)

2007-01-28

Fui a Lisboa, não pensem que eu desisti do caso da tintura de
iodo, tenho é tido muito mais cuidado com o que digo porque a máfia
nunca dorme e já consta por aí que alguém pretende tirar as coisas a
limpo. Senão, vejamos:
Pretendia ir de autocarro e antes das cinco já me encontrava em
frente da bilheteira dos ditos. Porque achava eu que, se partisse no
autocarro das cinco, chegaria bem a tempo ao jantar em Odivelas onde
iria encontrar-me com pessoas dispostas a ajudar a desvendar o
mistério da tintura. E qual não é o meu espanto quando me informam
que o autocarro só partia às seis, e ia pela EN1 e não pela autoestrada,
chegando já depois das oito, o que não se coadunava com uma
chegada pontual ao encontro. Macacos me mordam se aqui não anda a
mão da máfia, pensei eu para comigo. Não me dei por vencido e fui
alugar um carro. Mas só quando cheguei ao local do aluguer é que me
dei conta que não tinha o livro de cheques para passar o cheque
necessário da “franquia“. Lá tive que apanhar um táxi para dar uma
saltada a casa. A coisa estava a ficar difícil, mas lá se resolveu e parti,
de carro, antes das seis da tarde. Sei disso porque às sete já eu estava a
tomar um café na última estação de serviço da A8, em Loures, muito
perto do destino.
Porém, só cheguei perto das nove ao encontro porque a máfia, a
partir desse instante, conseguiu provocar-me um atraso de duas horas,
circulando pelas muitas estradas que hoje abraçam a capital e que nos
levam a todo o lado, menos àquele a que queremos ir. Mas lá consegui
chegar, estava a malta já receosa que a máfia tivesse conseguido os
seus intentos, de me desviar do objectivo definido: a busca da santa
tintura. Obrigado pela calorosa recepção, meus amigos, juro que não
foi premeditado…
O jantar decorreu em bom ambiente e foram delineadas metas
importantes a alcançar no projecto de descoberta da tintura de iodo.

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2007-01-29

Andei a matutar sobre o jantar de anteontem. A malta de Lisboa
ficou encarregue de procurar por lá os três frascos de tintura que
estavam em poder do JSS, e cujo paradeiro ele me revelou em charada.
Lembram-se ainda?
“Gentes corajosas que andaram por África, ao entrar na
primeira palhota se esqueceram dos seus haveres. Debaixo da
primeira pedra está o que eles tanto procuravam”.
Gentes corajosas que andaram por África? Terá alguma coisa a
ver com retornados? De facto, em Leiria há muitos retornados, alguns
já restabelecidos, outros nem tanto. Hoje falei com um deles que anda
no desemprego (alguma fábrica que fechou) e disse-me que tem que
aceitar trabalhos provisórios, nove meses aqui, nove meses ali e vai
rodando por tudo quanto é edifício público, a prestar serviços
auxiliares. Vai daí, perguntei-lhe: “E porquê nove meses? Isso tem
alguma coisa a ver com gravidez?”. “Com certeza!”, respondeu-me ele,
estamos todos fodidos. E pôs-se a recordar a vida em África, ah que
saudades daqueles tempos, ele até nem era rico, sempre foi um
funcionariozeco… “Mas vivia-se bem”, dizia ele, “sem preocupações, o
futuro não metia medo a ninguém”. E toca a descascar no Mário Soares
que lhe vendeu a sua Angola, Sócrates apanhou também por tabela,
eles são todos corruptos, são uns vendilhões da Pátria, não descansam
enquanto não destruírem Portugal por completo, devem ter alguma
espinha atravessada na garganta e fizeram isso tudo por vingança…,
etc., Rosa Coutinho, Otelo, etc., aquela conversa de retornado que
todos já conhecemos bem. E continua, “encheram-se à grande e à
francesa, o filho dele andava metido em tráfico de diamantes quando
teve o acidente de avião, os senhores do mundo é que decidem as
coisas a seu bel-prazer, fazem os seus negócios de petróleo, ouro,
diamantes, tudo bem camuflado com ideais revolucionários ou
democráticos. Mas andam todos é atrás da tintura, e o Zé é que paga as
favas”. Quando ele me falou da tintura e do Zé, senti-me tentado a
perguntar-lhe se conhecia o JSS, mais conhecido por JPP. Mas apenas
lhe perguntei se ao menos tinha onde morar, ao que ele disse que sim,
morava, por ironia do destino, na Av. dos Heróis de Angola. Olá…! A
coisa promete. Cheguei, sem querer, ao significado oculto na primeira
parte da charada do JSS:
Av. dos Heróis de Angola, será ali que o JSS escondeu a tintura?
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Henrique Sousa

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