Simplicíssimo

Triste fim, alegre recomeço…

São Paulo, 12 de julho de 2005.
TRISTE FIM, ALEGRE RECOMEÇO…

 

Diz a lenda que, há muito tempo, numa terra distante e subdesenvolvida, existia um bordel. O Bordel da Tia Didi.

Tia Didi, uma das mais antigas e respeitadas moradoras daquele vilarejo distante, era a responsável pela diversão extra-família dos homens " de respeito" da comunidade. Ela angariava e caçava as raparigas mais apetitosas e volumosas das terras vizinhas, a troco de um bem necessário, como um cacho de bananas, ou um espelho de banheiro, doados à família, geralmente miserável, sempre com gratidão imensa.

Aos homens de respeito, chamamos os políticos, fazendeiros, coronéis e poderosos da região. Todos com suas santas esposas em seu sagrado lar, e geralmente uma ou duas namoradinhas exclusivas esperando na Dona Didi.

Pois a referida casa de diversões era o lugar perfeito para, além dos coitos às menores sirigaitas, sempre cheias de prazer e respeito, boas conversas sobre a situação, sobre a vida, sobre o progresso que aquele país vinha demonstrando. Claro que o proletariado em questão se protegia muito bem de qualquer manifestação de insatisfação por parte de seus empregados mal pagos, miséria absoluta de suas famintas famílias, e qualquer bem público que pudesse, efetivamente, trazer algum conforto aos ignorantes sem juízo. Cabia a eles a decisão do bom uso das máquinas e recursos de gerência do vilarejo, ao seu verdadeiro destino, ou seja, seus bolsos e suas influências.

Certo dia, apareceu no lugar uma gente diferente. Vestiam-se bem, tinham certa educação, mas falavam de coisas estúpidas, como justiça social, salários justos, igualdade de oportunidades, e outras baboseiras que, a princípio, foram ignoradas pelos "donos" do lugar.

Percebendo que os estranhos ganhavam simpatia e simpatizantes, nossos distintos senhores resolveram chamá-los ao seu cantinho do prazer, oferecendo suas próprias raparigas exclusivas, os melhores vinhos da casa, comprados na capital, tentando ganhar e lucrar com a simpatia de quem começava a incomodar, mesmo que com idéias tão fúteis. Qual não foi a surpresa ao ouvirem uma negativa sonora de nossos novos heróis… Além do perigo eminente, o orgulho ferido pedia vingança, que precisava ser digerida em pratos bem frios…

Passado o tempo, os estranhos já tomavam alguns postos do poder, e precisavam se juntar a alguns dos antigos senhores do lugar, pois a máquina exigia experiência para a direção… Com a maior das boas vontades, nossos antigos senhores ofereceram-se como cordeirinhos a ensinar o necessário à boa administração da região. E tudo andava bem. A economia crescia, os empregos melhoravam, e as região dava verdadeiro indício de crescimento.

Até que um dia, numa cilada bem armada, descobriu-se que alguns dos novos heróis estava freqüentando o Bordel da Dona Didi… Manchetes nos jornais, imprensa bem armada, avisada pelos velhos sacerdotes, e deu-se o escândalo…

Não se passou muito tempo para que a população passasse a enxergar qualquer participante do novo governo como um hipócrita e mentiroso. O escândalo foi muito bem alimentado pelas veias da comunicação, e, já nas próximas eleições, os antigos coronéis recobraram o poder, devolveram a velha ordem, os bons costumes, e a miséria e servidão que quase fez-se esquecida por aquelas bandas…

 

 

Ps: Não há diferença entre roubar uma lata de sardinha ou esconder 100 mil dólares numa cueca. Que todos sejam julgados corretamente, e que não se generalize opiniões, massificando idéias que, na mais pura das verdades, vêm sempre com uma segunda intenção atrás… Mudar significa tentar algo novo, não voltar ao passado…

 

 

Ps2: Este texto teve a colaboração do querido amigo (ainda virtual) Lula Miranda, numa resposta a uma conversa interessante sobre o assunto.

 

 

Marcos Claudino

Marcos Claudino

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