De projetos natimortos

É uma lástima acompanhar, nestes quase 3 anos de Simplicíssimo o número de projetos literários, musicais, poéticos, de expressão artística e cultural em geral que nascem fulgurantes, cheios de vida e criativos e que, antes que percebamos, desaparecem do mapa.

É uma lástima acompanhar, nestes quase 3 anos de Simplicíssimo o número de projetos literários, musicais, poéticos, de expressão artística e cultural em geral que nascem fulgurantes, cheios de vida e criativos e que, antes que percebamos, desaparecem do mapa.

Não pretendo alçar citações dos mesmos, mas quem acompanha a cultura na Internet ou na sua cidade, entende o fenômeno do qual estou falando.

Um grupo de pessoas afins se reúne, troca idéias, traçam um projeto, põe a mão na massa e lançam um evento, revista, performance inovador, surpreendente, criativo ou original. Sem apoio (financeiro, de público, de resposta afetiva), o projeto tropega por mais 2 ou 3 quadras e acaba por desabar.

A que se deve este maldito insucesso que tende a se repetir a cada nova tentativa?

Uns mais atirados dirão que se deve às características do grupo que promove a saudável baderna. Outros aventarão a possibilidade de que não houve planejamento adequado, tanto no que diz respeito a escolha do local quando do público-alvo. Uns ainda perceberão a hedionda velocidade do mundo moderno como empecilho ao desfrute de tais eventos culturais. Poucos se postam frente a um quadro por mais de poucos segundos, imagine então ler na íntegra um sítio predominantemente composto de palavras como o Simplicíssimo.

É inegável que o individualismo, a tendência à competição, a freqüência dos nossos corpos e das estrelas e tudo o mais influi nas decisões que tomamos acerca de qual iogurte tomar e qual evento prestigiar. O fato é que esta casa, ou Nau, como gosto carinhosamente de chamar ao Simplicíssimo, não será demolida ou naufragará antes que tenha cumprido honrosamente sua missão, mesmo que, para tanto, reste apenas este timoneiro como único tripulante.

Alguém pode perguntar: “afinal, qual é a missão que o Simplicíssimo busca cumprir?”. Poderia, de forma bem-humorada responder “assim que descobrirmos, comunicaremos”, mas prefiro responder: levar literatura sincera e estímulos ecléticos e saborosos para todos os cantos em que a língua portuguesa ressoar. Ainda existem nichos a desbravar. Seguimos nosso rumo, milha após milha, audaciosamente indo onde ninguém jamais esteve.

Com satisfação, recebemos nesta edição, a participação de Waldemar Nnakesol, novo Simplicolunista. Waldemar irá manter a coluna “Playing fools“. Apesar do nome em inglês (liberdade plena aos colunistas), seus textos são uma delícia da língua portuguesa, como pude conferir pelas amostras que ele tem me mandado, diretamente de Londres.

Ainda, na próxima edição, teremos a estréia de mais um colunista: Marlon Schirrmann, moderador do Grupo de Discussão Literária Cafeína. Mas deixemos que ele explique do que se trata na próxima edição.

Agora, à leitura. Diminua a velocidade do seu mundo: leia Simplicíssimo.