Frutos verdes, maduros e podres

Existem três tipos de frutos: os verdes, os maduros e os podres.
Os verdes e os podres, nos tem pouca serventia pois não servem para nossa alimentação. Os primeiros, porque ainda não se desenvolveram ao ponto de seu paladar se tornar agradável, entretanto tragam já consigo muitos dos nutrientes que ficarão mais apurados no fruto maduro. Existem três tipos de frutos: os verdes, os maduros e os podres.
Os verdes e os podres, nos tem pouca serventia pois não servem para nossa alimentação. Os primeiros, porque ainda não se desenvolveram ao ponto de seu paladar se tornar agradável, entretanto tragam já consigo muitos dos nutrientes que ficarão mais apurados no fruto maduro. Os podres, por sua vez, são aqueles que, por falta de atenção, acabaram por degradar sua matéria, sua essência, por influência do ambiente. As propriedades saudáveis que antes mantinham, agora não existem mais. Oxidaram.
Assim, buscamos sempre por aqueles frutos maduros, que agradem tanto ao nosso gosto pelo seu sabor e também contém a melhor proporção de nutrientes para alimentar nosso corpo.
Acontece que, como todos sabemos, é impossível manter um fruto maduro para todo o sempre. A Natureza é sábia. Os frutos nascem verdes, amadurecem e apodrecem e nesta metamorfose, gerenciam toda energia que lhes é concedida, simbolizando neste processo a essência máxima da vida: a noção de movimento contínuo de todas as coisas. Não pretendo chamar Heráclito à conversa, mas essa percepção parece ser comum a todos nós. Acontece que não vivemos assim, na prática. Muitas vezes, imaginamos que todas as coisas tendem para a estagnação.
Encontramos um “amor para toda a vida” e dali por diante, não fazemos nada para seguir reconsquistando este amor. Nos estabelecemos em um emprego e não nos preocupamos em fazer a diferença. Atendemos ao marasmo à nossa volta satisfeitos com a economia de esforço que nos é concedida. Buscamos estabilidade. Uma casa com pátio grande, um cachorro e crianças brincando.
É uma escolha, você pode dizer. É uma escolha, digo eu.

Mas, voltando às vacas magras, é com pesar que anuncio o afastamento, por tempo indeterminado dos colunistas Ibbas Filho e Lenne, que mantinham, respectivamente, as Simplicolunas Parafernália e Lifelines. Mas se a tristeza nos envolve, também a alegria tem seu espaço: recebemos com júbilo e festa nosso mais novo colunista, Rafael Rodrigues, escritor baiano, de Feira de Santana, que mantém o blog Cotocos (http://cotocos.zip.net/) e o coletivo Três Vozes (http://3vozes.blogspot.com/) e agora se junta a nós nesta Nau Simplicíssimo. Seja muito bem-vindo, amigo e xará Rafael.

Antecipando a próxima semana, teremos uma estréia que muito nos honrará. Um escritor brasileiro radicado em Londres há mais de 20 anos, já com 8 livros publicados e que, pela primeira vez vai escrever para um site brasileiro. Mas deixemos que ele mesmo se apresente, na próxima edição, em sua nova coluna.

À carga.

Rafael Reinehr