Simplicíssimo

Soneto Dadaísta

A outrora pedaço no em

Entregues fome se ainda

Como de da veneno

Fala de cansa azougues

 

Trem os justo amarelo de

Volúpia mansa que tentação

Eles de cândidos perigosa é

Mas picasso mormaço leviano

 

No tesoura que uma nave

Na tanto na espacial e

Perdidos voluptuoso sublime em é

 

Sim o cadafalso cadeira sem

Mas falso o entretanto frio

Não com gigante assim se

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Instruções para uma poesia dadaísta: pegue papeizinhos. Escreva neles palavras. Substantivos, adjetivos, pronomes definidos e indefinidos, artigos. Misture os papeizinhos. Defina o número de palavras por verso. Ou não. Defina regras para terminar o verso. Ou não. Pegue os papeizinhos em ordem aleatória e escreva o poema com as palavras na ordem que forem aparecendo. Vá vendo o resultado a medida em que o poema está sendo feito. Pouca coisa faz sentido, mas quando faz, é profundo. Profundo mesmo! Outra experiência que pode ser feita é fazer vários poemas dadaístas com o mesmo grupo de palavras. Ei! Será que isso é uma idéia original? Não sei, mas vou fazer isso outra hora. Escolherei 87 palavras e escreverei 13 poemas com essa técnica! Afudê!

 

87 – 5 = 82 – 4 = 78 – 6 = 72 – 4 = 68 – 5 = 63 – 4 = 59 – 6 = 53 – 4 = 49 – 5 = 44 – 4 = 40 – 6 = 36 – 4 = 32 – 5 = 27 – 4 = 23 – 6 = 17 – 4 = 13 – 6 = 7 – 1 = 6 – 6 = 0 (= 19 versos)

 

19 – 5 = 14 – 4 = 10 – 3 = 7 – 3 = 4 – 4 = 0. Taí a fórmula do meu próximo poema dadaísta. Resumindo, será um poema com 19 versos, dividido em estrofes de 5, 4, 3, 3 e 4 versos respectivamente, com 5, 4, 6, 4, 5, 4, 6, 4, 5, 4, 6, 4, 5, 4, 6, 4, 6, 1, 6 palavras em cada verso.

Rafael Reinehr

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