Fernando Rosa – O Senhor F

S – Como poderia ser resumida a trajetória do Fernando Rosa até este momento?

FR – Olha, nasci em Santo Antônio da Patrulha, em 1954, sou jornalista nas áreas de econonomia e política, e atualmente moro em Brasilia, depois de passar por São Paulo, por um bom tempo. A música sempre foi um hobby que, aos poucos, foi se tornando uma atividade paralela, especialmente com a criação da revista Senhor F, por volta de 2000.

Image S – Como poderia ser resumida a trajetória do Fernando Rosa até este momento?

FR – Olha, nasci em Santo Antônio da Patrulha, em 1954, sou jornalista nas áreas de econonomia e política, e atualmente moro em Brasilia, depois de passar por São Paulo, por um bom tempo. A música sempre foi um hobby que, aos poucos, foi se tornando uma atividade paralela, especialmente com a criação da revista Senhor F, por volta de 2000.

S – O Senhor F é hoje uma referência na história do rock. Mas como foi o início do Senhor F?
FR –
A primeira edição da revista entrou na rede em 1999, ainda em caráter experimental, ou dizendo melhor, um tanto quanto tosca em sua forma, mas já com a definição editorial que vigora até hoje – resgatar a história do rock, principalmente o nacional, e dar a máxima atenção para a cena independente – com ajustes ao longo do tempo. Recentemente, promovemos uma mudança editorial e visual, criando uma Agência de Notícias, com o objetivo de cobrir diariamente a cena independente. A revista, de certa forma, tem a mesma história das bandas da cena alternativa, especialmente o fato de ser fruto da "geração internet".

S – E o nome Senhor F, é alguma referência à musica dos Mutantes?
FR – Sim, o nome é sacado da música dos Mutantes, entre outras referências. Segundo o Serginho, foi a primeira música composta por ele, quando tinha apenas 14 anos.

S – Por algum tempo o programa Senhor F era apresentado na Usina do Som. Depois passou um tempo "sem lugar" e divulgou-se a procura por um espaço ou patrocinador. O que houve na primeira ocasião e como foi resolvida a segunda?
FR –
O programa na Usina do Som durou 75 semanas. Em determinado momento, no final de 2002, a Usina do Som cortou diversas áreas, como o jornalismo, primeiro, e, em seguida, os programas com texto e locução. Depois disso, ainda colaboramos eventualmente com a Usina, produzindo programas especiais, entre eles, um sobre Brian Wilson, outro sobre versões e covers dos Beatles e ainda um sobre a pré-história do rock, que apresentava 100 músicas pré-Elvis. Desde então, tentamos de alguma forma veicular o programa em rádios normais, mas não tido sucesso, pois, por um lado, as programações são muita fechadas, e por outro, as rádios mais alternativas não se dispõe, ou não tem condições de investir. Mas, não desistimos da idéia, que acredito ser mais viável na internet.

S – O Senhor F tem uma forte identidade com as bandas dos cenários locais, ainda sem gravadoras ou sem muita expressão nacional. Os CD’s e seus shows de lançamento "Noite Senhor F" deixam isso bem claro. Como você vê esta associação?
FR – A revista é um veículo voltado para o rock independente, ou alternativo aos produtos de baixa qualidade cultural que vigora por ai. É natural, então, que as relações da revista sejam com essas bandas, até porque é nelas que reconhecemos criatividade e compromisso com a construção cultural do país. Como já disse, a Senhor F nasceu junto com a maioria dessas bandas, utilizando a internet como forma de divulgação, distribuição e, hoje, comercialização de suas obras. Temos essa profunda identidade, que valorizamos e buscamos desenvolvê-la cada vez mais, do que é exemplo a criação da Agência de Notícia. Dentro dessa mesma perspectiva, criamos o selo Senhor F Discos, em parceria com o Philippe Seabra, da Plebe Rude, e também o Senhor F Virtual, dentro da Agência de Notícias, para lançar singles on line.

S – Que artistas ou bandas você colocaria como as principais criadoras do Rock a nível internacional, nacional e gaúcho? (sugestão: 3 a 5 bandas por região).
FR – Do rock internacional, penso que Elvis Presley, Beatles, Jimi Hendrix, Led Zeppelin e Ramones poderiam ser destacadas como pilares da construção da história do rock. No Brasil, Tony & Celly Campello, Roberto Carlos, Mutantes, Raul Seixas e Legião Urbana. No Rio Grande do Sul, Os Brasas, Liverpool, Replicantes, Cascavelettes e Graforréia Xilarmônica.

S – E na música em geral, quais são as bandas preferidas de todos os tempos de Fernando Rosa?
FR – Tenho um gosto muito amplo, distribuido por todas as décadas e, ainda por cima, cíclico, o que sempre me dificulta dar respostas como esta. Mas, no momento, diria que minhas bandas preferidas seriam Buddy Holly & The Crickets, Sonics, Beatles (este sempre!), Rolling Stones, The Who (da primeira fase, dos singles), Jefferson Airplane, AC/DC, Undertones, Clash, Graforréia Xilarmônica (também sempre!) e Radiohead, para citar algumas. E tenho os candidatos, mais atuais, a figurar em listas futuras, gente que ando ouvindo bastante, como Damien Rice, Super Furry Animals e Wondermints, entre outros.

S – Na sua opinião, quem vai "doer na vista e nos ouvidos" em 2005 e quem está pronto para estourar?
FR – Ano passado, ainda para a Usina do Som, pediram dois nomes, um nacional e um gringo, e falei Damien Rice e Phonopop (de Brasília). Rice tá meio estourado por conta do filme "Perto dos Olhos", e Phonopop já começa a rodar mais, na MTV e tudo o mais. Mas, no país, apostaria também em Cachorro Grande, com seu terceiro CD, e outras bandas e intérpretes novatos como Superguidis (Porto Alegre; uma das que mais gosto desta última safra), Mordida e Faichecleres (Curitiba), Volver (Recife; que é do nosso selo Senhor F Discos), The Feitos (RJ), Violins (GO), Sapatos Bicolores (DF), Radio de Outono (também de Recife), Eletrola e Stereoscope (ambas de Belém). Entre os artistas individuais, gosto muito, do Beto Só (que, por sinal, chamamos para o nosso selo), que acabou de gravar um disco que vai impressionar pela qualidade autoral e instrumental. Mas, tem muito mais gente boa por ai.

S – Quais outros sites de música e história da música você recomendaria aos
leitores do Simplicíssimo?
FR – O primeiro deles, All Music Guide (www.allmusic.com), o melhor de todos, com todas as informações possíveis e necessárias. Aqui do Brasil, o site da Trama Virtual, que abriu espaço para as bandas mostrarem seus trabalhos, de uma forma bem democrática. Para quem gosta de "power pop", tem o site Power Pop Station, o único do Brasil no gênero. Para os beatlemaníacos, a dica é o Beatles Brasil, muito completo.

S – E literatura? O que Fernando Rosa anda lendo?
FR – Acabei de ler o livro "31 Canções", do Nick Hornby, e estou lendo o livro do Pedro Alexandre Sanches sobre o Rio Carlos (mais Erasmo e Wanderlea). Ambos muito bons.

S – Fernando Rosa vai ao cinema? E tem assistido ao quê na telona?
FR – Vou pouco, emborqa sinta muita falta disso. O último que vi foi "Closer".

S – E o que você vislumbra como futuro do Senhor F?
FR – Acredito que a revista ainda tem muito a contribuir com o rock independente nacional. Recém criamos a agência, e ela já dá sinais de que cumprirá um papel importante nesse período, que ainda é de resistência.

S – E os seus outros projetos pessoais?
FR – Minha aposta para os próximos meses é criar a rádio Senhor F, na rede mesmo. Temos ainda o selo Senhor F Discos, que jã está indo para o terceiro CD.

S – Se a entrevista acabasse agora, suas palavras finais seriam…
FR – "Toca Raul" …

CLÁSSICOS DA NOITE SENHOR F
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"O melhor de bem bom do underground alternativo dos cinco cantos deste Brasil varonil está representado neste compacto disco que encerra em si a vanguarda da música jovem que espanta os maus espíritos de qualquer cadeira empoeirada" (Bárbara Pessôa – correspondente do Simplicíssimo no Vaticano)

Site Oficial:
http://www.senhorf.com.br