Domingo

Brutal a solidão que me aocmpanha. Me cerquei de coisas e silêncio, armadura de ferrões, cansaço. Tão seguro o tempo liso de um Domingo. Nada… Brutal a solidão que me aocmpanha. Me cerquei de coisas e silêncio, armadura de ferrões, cansaço. Tão seguro o tempo liso de um Domingo. Nada espreita e por nada um movimento. Somente folhas verdes em bailarinas saudações à primavera. Mas aqui dentro mordem os meus vermes esquecidos, no adocicado aroma que tem aquilo que começa apodrecer. Sigo crendo no impossível da matéria orgânica. Jamais me convenci desse delírio da epiderme. Tudo o que se sabe é que se morre: fato. No entanto, nossa única certeza, nós a dissimulamos; inventamos coisas, líingua, deus. Inventamos o Domingo. Sete palmos de certeza inútil: desagradável companheira antiga, amiga, ela chega um dia e a célula desiste. Fica o nosso riso eternizado em cálcio, duas órbitas vazias na horintal. Nostalgia das noites de lua, aos pés de eucalíptos revoltos em uma primavera como aquela em que tu falecerás.
Por isso esse cantar persuasivo, o colorido balsâmico dos lírios… Viver é convalescer constante da mais incurável das moléstias. É ser cúmplice do engodo que nos dana. Tornar rotina um absurdo que não cabe dissoluto em nosso vasto oceano de símbolos.
Brutal a solidão, por não saber a célula dos aodrnos nos quais nos enredamos enganados, e com os quais mutuamente nos traímos nessa coisa de viver. Acordar e querer beijar o mundo é ser poeta enquanto nossos mortos embelezam nossas frutas, e nos esperam em seus trajes de Domingo, eternamente.