O Dom

Dom Luigi era um italiano elegante e bonito, na casa dos quarenta anos, que começava a sua rotina de trabalho em Chicago no meio da tarde. Passava rapidamente na boate Star Night, num prédio de esquina muito bem conservado,e administrado rigidamente pelo Dom. Ele checava o suprimento de bebidas, o livro caixa, depois ia ao bar no piso superior tomar o seu drinque. Sob o olhar voraz do Dom, as dançarinas – jovens loiras americanas
Dom Luigi era um italiano elegante e bonito, na casa dos quarenta anos, que começava a sua rotina de trabalho em Chicago no meio da tarde. Passava rapidamente na boate Star Night, num prédio de esquina muito bem conservado e administrado rigidamente pelo Dom. Ele checava o suprimento de bebidas, o livro caixa, depois ia ao bar no piso superior tomar o seu drinque. Sob o olhar voraz do Dom, as dançarinas – jovens loiras americanas -, no piso inferior da boate, caprichavam no ensaio para o show da noite.

O Dom saboreava tudo: a bebida, o charuto Havana, o ensaio. As dançarinas porém, não lhe despertavam mais nenhum prazer especial, pois eram casos antigos do Dom.

Foi então que viu Mary Lou. Foi atingido pelo “raio”, como diriam os sicilianos: soube que teria que possuir aquela ragazza vibrante, apetitosa, deliciosa.

Quando saía da boate o Dom ia para o que chamava de seu “verdadeiro trabalho”: a Luigi Express, num prédio de primeiro andar e com entrada e saída para duas ruas.

Nos fundos do prédio,de madrugada,o movimento de caminhões era intenso, com caixas e caixas de whisky; na frente, escassos e ingênuos veículos diurnos carregavam e descarregavam frutas, azeite e cereais.

“Bendita Lei Seca!”, pensava o próspero Dom, em seu amplo escritório, com uma antiga escrivaninha, poltronas de couro e quadros da Sicília.

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O tenente Smith chegava ao prédio do FBI às nove da manhã, religiosamente.

Colocava o paletó no espaldar da cadeira de couro gasto, dava uma vista de olhos sobre os documentos na pequena escrivaninha: os relatórios que os agentes lhe mandavam sempre abordavam o tema da lei seca, das cargas ilegais de whisky, de cigarros.

Há tempos que Smith cercava o Dom, tentando associá-lo aos negócios ilegais de bebida, mas sem sucesso: aquele carcamano era experiente, escorregadio e subornava parte da polícia e até do próprio FBI!

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Mary Lou irradiava energia sensual à sua volta, daí ser uma das dançarinas mais requisitadas da Star Night pelos freqüentadores.

Mary agüentava aqueles homens grosseiros e pobres, porque sabia que a boate era um degrau para atingir sua meta: ser cantora em Nova York, num ambiente com homens ricos e atraentes.

Ela notou o olhar de desejo do Dom, e avaliou a situação: “eu como um spaguetti agora e a sobremesa é uma Big Apple”.

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O Dom passou quinze dias na Itália com Mary, em verdadeira lua-de-mel.

Enquanto isso, Smith trabalhava: levantou várias informações sobre a viagem do Dom, e sobre Mary Lou.

Quando o casal voltou a Chicago, Smith teve todo o suporte legal para prender e encerrar as atividades do italiano: Mary era menor de idade, imigrante ilegal, e tinha sido aliciada por Dom Luigi.

FIM